O Complexo de Cinderela

By SS Martinelli - sábado, julho 11, 2009

Será que no fundo todas nós, bailarinas de dança do ventre, só queremos mesmo é agradar o público masculino? Será que nós mulheres ainda vivênciamos o complexo de cinderela?

Segundo Cláudia Oliveira, O complexo de Cinderela na verdade é um desvio psicológico que causa a sensação de dependência de forças masculinas externas. É como se a mulher esperasse, nem sempre tão paciente quanto as princesas dos contos de fada, a chegada do seu príncipe encantado, do homem que a libertará de todos os seus problemas. Basicamente, a mulher com o complexo de Cinderela busca uma fuga no sexo masculino. Sem, contudo, deixar de buscar sua liberdade e auto-afirmação: isso faz com que a mulher sinta-se angustiada e dividida.














O excesso de vaidade, o culto ao corpo, a necessidade de auto-afirmação, as roupas de apresentação cada mais exóticas, a competição, a briga para dançar com cantor tal, com bailarino tal, a super preocupação com a estética; Será que não conseguimos evoluir? Será que inconsientemente ainda buscamos a mesma coisa? A aceitação do Pai, do marido, a aceitação masculina?

Antes de dizer que estou louca, pare e analise, mas analise a fundo, suas atitudes, as atitudes de suas alunas, as atitudes das suas colegas de trabalho e depois comente.

A dança do ventre, não é uma dança só de sedução, ela vem de cultos, de rituais, ela traz em sua história movimentos que estão diretamente ligados a natureza, ela originalmente não era expressada como ela é hoje, porém não podemos esquecer e muito menos negar suas raízes, por isso eu digo, quando dançar, faça isso com a alma, respeite sua ancestralidade e descubra o verdadeiro motivo dessa dança existir.

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3 Ebulições

  1. Mais que um desvio ou um complexo, trata-se de uma imposição cultural que predominou por séculos. Não se cura um câncer de uma hora para outra, principalmente quando ele já está fixo ao corpo por tanto tempo. Por isso, a confusão.

    Não podemos negar as raízes da dança do ventre. Entretanto, aquela época, o momento do culto à natureza e ao gerar de uma vida ACABOU. Vivemos em uma era totalmente diferente, a era da "mulher moderna", da mulher de destaque, que tudo pode, tudo vê, tudo consegue. A mesma mulher que definha em seu interior, prisioneira de suas próprias indecisões, que luta para libertar-se de conceitos profundamente enraizados, aos quais ela desesperadamente diz "não".

    Não podemos negar as raízes, mas respeitar sua história e adaptar a arte aos dias de hoje.

    Se existe o excesso de vaidade, a competição pelo príncipe almejado, a obcessão pela roupa mais bonita, é porque tudo isso nos é IMPOSTO (a mídia é a principal responsável) e não conseguimos dizer NÃO. Talvez, por medo. Medo da escolha errada, medo da mudança, medo da rejeição.

    E, enquanto este medo nos domina, nossa feminilidade morre aos poucos. Morre, junto, a nossa arte.

    Um beijo!

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  2. Adorei o seu texto e seu convite a reflexão.
    Vou seguir o blog...

    Bj

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  3. Achei muito interessante o texto.
    Acredito que hoje em dia a dança é vista muito por esse lado da sensualidade, sexualidade e há muita preocupação com vaidade.

    Pra mim, a dança é a busca de nossa deusa interior, deve se dançar com a alma, sentir a música, senão não é dança. Nos dias de hoje a dança do ventre perdeu um pouco sua essência, acho que deve haver um equilíbrio, porque há sensualidade sim, mas esse não é o objetivo.

    Beijinhos!

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